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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

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A guerra está ao rublo

Zelensky

Faz uma semana que a Rússia reconheceu unilateralmente a independência das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e com isso iniciou-se a invasão da Ucrânia.

Em resposta Joe Biden ia-se preparar para também reconhecer a independência da Chechénia, pensando que se estava a falar dele próprio, mas os seus consultores conseguiram-no impedir a tempo de que tal acontecesse.

Podem dizer o que quiserem, mas a mim ninguém tira da ideia que esta invasão está relacionada com a ida do Jair Bolsonaro à Rússia. Ele deve ter dado uma camisola da selecção brasileira ao Putin e ele pensou que se tratava de uma da Ucrânia e que aquilo era tudo uma provocação. É o que eu acho.

Mal começou a invasão julgo que todos nós pensámos mais ou menos o mesmo - vem aí a III Guerra Mundial. Era bom saber qual a distância que temos de estar para sobrevivermos a uma bomba nuclear. Se cair até Madrid estamos bem? Bem, mas temos de ver as coisas com um lado positivo, uma Guerra Mundial é má agora, mas, se sobrevivermos ao Inverno Nuclear, vai dar excelentes filmes no futuro.

O Putin decidiu retomar as reconquistas do que foi o Império Russo e a União Soviética. Então agora não dizem todos que o Mundo não tem fronteiras e tal? Bem, foi isso que o Putin também decidiu levar muito a sério. Bem que podia ter começado pelo Alasca e deixava a Europa em paz, é a minha opinião. É que isto começa na Ucrânia, mas desenganem-se quem pensa que ele ficaria por aí. Iam ver quando ele decidisse recuperar o Alentejo e a Margem Sul... Almada era logo a primeira.

Ora, esta conversa leva-nos à forma como determinados partidos se colocaram em todo este processo. Falo mais em concreto do Bloco de Esquerda e do PCP.
O BE teve ali uma posição que saltou entre a crítica à NATO e aos EUA para ir na onda da crítica à Rússia, assim que houve a invasão e a grande maioria das pessoas se colocou do lado da Ucrânia. Mas mais vale tarde do que nunca.

Já o PCP... O PCP começou com uma desculpabilização da invasão russa e passou para um full All Lives Matter nesta questão da Rússia e Ucrânia. Ora, ninguém quer ouvir isso quando um país está a ser invadido. Pior, alguns membros do PCP tiveram umas declarações mesmo rasteirinhas para momentos como este. Isto está de tal forma que eu já nem sei se eles estão mesmo a falar a sério nesta questão ou se é para o meme comunista. Por vezes é surreal. Parece que a Ucrânia é que tem de parar com este acto de agressão e confrontação com a Rússia que consiste em estar a levar com bombas.

Entretanto, durante esta semana, todo este conflito teve diversos desenvolvimentos. Inicialmente pensou-se que a Rússia ia limpar a Ucrânia em dois ou três dias, portanto a União Europeia não quis meter-se muito com medo que lhe cortassem o gás. Mais uma vez o gás no centro da questão numa guerra na Europa.

Acho que um dos motivos que mais impressionou neste conflito foi o facto de ser um dos poucos em que se vê um Presidente e o próprio povo a pedirem ajuda e ter ficado tudo parado a olhar à espera de um fim que todos já sabemos qual seria.

Feliz e heroicamente tal não ocorreu e os ucranianos têm conseguido resistir liderados pelo seu Presidente, Volodymyr Zelensky. Foi o nascer de um símbolo. Se por milagre o Zelensky conseguir aguentar-se a si e à Ucrânia emergirá dessa guerra simultaneamente como o maior líder e influenciador de mídia social do mundo. Um verdadeiro Churchill ucraniano. E nota-se bem que o homem era comediante, tal as punchlines que ele manda.

A luta é aqui; eu preciso de munições, não de uma boleia.

Muitos líderes, em condições semelhantes, já se tinham posto na alheta. O Zelensky tem uma coragem fora do normal para o que vemos dos políticos em todo o Mundo. Por outro lado, eu acho que ele talvez ainda não tenha saído de Kiev, porque não se consegue mexer devido ao tamanho enorme dos seus tomates.

A opinião pública começou a ficar ligada no que se passava na Ucrânia e isso começou a reflectir-se nas acções que os Governos e instituições começaram a tomar. Começámos a ver vídeos e informações, uns verdadeiros outros falsos, que nos fez reagir.

Tivemos o caso dos 13 soldados ucranianos sozinhos numa ilha contra um navio de guerra russo e que o mandaram fo****.

Tivemos o piloto ucraniano que andava a destruir aviões russos e ficou conhecido como Ghost of Kiev.

Tivemos o caso do tanque russo que esmagou o carro civil com o condutor dentro, nos arredores de Kiev. Duvido que tenham preenchido a declaração amigável.

Tivemos o Ministério da Defesa da Ucrânia a pedir a civis que recebam o exército russo com cocktails. Os ucranianos são realmente um povo fantástico, em guerra e ainda assim preocupados em receber bem os invasores.

E muito, muito mais. Sem nunca se saber realmente a verdade, mas isso também não interessa muito. A história e o estoicismo ucraniano é tudo o que queremos consumir. A Ucrânia pode vir a perder a guerra no terreno, mas vai ganhar a guerra dos memes.

Enquanto isso, os dias iam passando e a Rússia a tentar fazer o cerco a Kiev, mas sem o conseguir. Se eles tentassem fazer um cerco a Lisboa ia ser um fartote de tanques apanhados pelos radares. Falíamos completamente a Rússia em multas.

A comunidade internacional decidiu intervir. Sanções e mais sanções e mais sanções e mais sanções. Já não se falava tanto em sansões desde o tempo do Antigo Testamento. Não percebi porque é que demoraram tanto tempo para aplicar a medida do SWIFT. A Taylor Swift não actuar mais na Rússia devia ser logo a primeira sanção aplicada. Neste momento eles têm tudo congelado. Estão a sentir o verdadeiro Inverno russo.

Muitos países já começaram a fornecer ajuda à Ucrânia. No caso de Portugal, nós vamos enviar armas, só precisamos saber onde elas estão primeiro. Tirando isso tudo perfeito. Lisboa também criou um centro de acolhimento para refugiados vindos da Ucrânia. Fernando Medina já se voluntariou para ser ele a tratar das fichas de inscrição. Sempre em duplicado, claro.

Portugal é tão à frente que, com vários anos de antecedência, até já ensinou as técnicas para os ucranianos poderem reconstruir o país depois da guerra. Por outro lado, as forças especiais russas que estão a invadir a Ucrânia são constituídas maioritariamente por elementos que vieram estagiar no SEF, portanto também temos alguma culpa no que se tem passado.

Este aumento do envolvimento internacional levou a que o Putin escalasse também o nível das ameaças.

Os principais líderes da NATO fizeram declarações ofensivas. Vou meter as armas nucleares em alerta, porque ofenderam os meus sentimentos.

O Putin é oficialmente um utilizador das redes sociais, mas com armas nucleares. Esta guerra esta definitivamente ao rublo.

A televisões também foram buscar todos os especialistas que conseguiram encontrar para comentar o que se vai passando. Acredito que alguns até seriam simplesmente frequentadores da discoteca Kremlin nos anos 90. Mas pronto, não interessa.

Eu tenho acompanhado maioritariamente as notícias pela SIC/SIC Notícias. Para mim, com o Nuno Rogeiro e o José Milhazes, têm os comentadores mais interessantes para ouvir nisto do conflito da Rússia com a Ucrânia. Notem que não digo os melhores. Mas estes são must see TV.

A comunicação social, em particular as televisões, já paravam era de utilizar vídeos das redes sociais como se fossem informação totalmente fidedigna sobre o que se passa na Ucrânia. Façam alguma verificação mínima antes, pelo menos.

Uma coisa que ninguém fala é como os emigrantes portugueses na Ucrânia vão repetir a votação para as eleições legislativas. Anda tudo preocupado com uma III Guerra Mundial e depois destes assuntos realmente importantes ninguém quer saber.

Queria só deixar um reconhecimento final aos russos que estão na Rússia a manifestar-se contra a guerra. É preciso muita coragem para tentar combater esta guerra por dentro, em particular lá, ainda para mais quando estamos todos do lado ucraniano e a deixá-los isolados.

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