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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

É fácil ser vidente

Aquando da morte de George Floyd pela polícia, escrevi um texto que continha esta parte:

Esta situação toda que deveria levar a manifestações de defesa de direitos humanos, independente da cor, foi aproveitada e desvirtuada, levando a pilhagens, tumultos, motins, e ataques às forças de autoridade. Isto é uma mistura explosiva. Num país em que qualquer pessoa pode ter uma arma, em que a criminalidade é violenta e que a ação policial é conhecida por ser musculada, entramos em ciclo na perpetuação de preconceitos e de violência. Nada de bom vai sair dali.

Três meses entretanto passaram e, pasme-se, acertei. Só não acerto é no Euromilhões, mas o facto de não jogar também não ajuda. A verdade é que também não foi assim muito complicado. Não é preciso ser grande vidente para adivinhar que violência iria gerar mais violência e que radicalismo iria gerar mais radicalismo.

A História realmente tende a repetir-se e, cada vez mais, estamos a ficar com um contexto social parecido com o de há 100 anos. Depois fica toda a gente espantada como se chegou a tal, enquanto se aponta dedos aos outros.

O assassinato de George Floyd

Desde o início deste caso da morte de George Floyd que queria escrever um texto sobre o assunto, mas não queria que fosse a quente, porque assuntos destes não devem ser vistos precipitadamente. Como a temperatura sobre este caso está cada vez maior e não parece baixar decidi então avançar, mesmo podendo fazer julgamentos precipitados face ao que se possa vir a saber no futuro.

Este é um caso que me deixou bastante confuso. Não é normal ver-se um homicídio de uma pessoa gravado. Mais, não é normal ver-se o homicídio de uma pessoa ser efetuado por um agente da autoridade, alguém que deveria saber a lei e fazê-la cumprir adequadamente.

Deixou-me confuso também pelo facto de os agentes envolvidos terem sido logo demitidos, mas terem passado quatro dias até o responsável pela morte de George Floyd ser detido e acusado. Quando os despediram, podiam muito bem detê-los na mesma altura.

Finalmente, deixou-me confuso pela associação da morte logo a racismo. O que eu vi foi um homem algemado, imobilizado, a dizer que não conseguia respirar, enquanto um polícia tinha o joelho sobre o pescoço dele, sufocando-o. Neste comportamento eu vejo um abuso da autoridade misturado com um uso excessivo e desproporcional da força. Foi o racismo que fez os agentes procederem daquela forma? Não sei. Tanto pode ter sido como não. No entanto, não há nada ali que me diga que se tivesse sido numa detenção de um homem branco as ações tivessem sido diferentes. Agora que o agente foi detido, provavelmente irão investigar e ver se já teria outros casos anteriores que indiquem comportamentos racistas ou outros casos de violência policial, mas de momento ainda não se sabe de nada. Teremos de esperar para ver, sabendo que, independentemente das circunstâncias, será preciso que a Justiça cumpra a sua função e puna os culpados adequadamente.

Esta situação toda que deveria levar a manifestações de defesa de direitos humanos, independente da cor, foi aproveitada e desvirtuada, levando a pilhagens, tumultos, motins, e ataques às forças de autoridade. Isto é uma mistura explosiva. Num país em que qualquer pessoa pode ter uma arma, em que a criminalidade é violenta e que a ação policial é conhecida por ser musculada, entramos em ciclo na perpetuação de preconceitos e de violência. Nada de bom vai sair dali.

Podemos dizer com certeza absoluta que George Floyd foi morto devido a racismo? Não, não podemos. Podemos dizer que os incidentes posteriores vão despoletar mais racismo? Sem dúvida!

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