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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

A mulher tem sempre razão, excepto se for eu a ser acusado

Deputado e candidato à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Luís Monteiro, é acusado por uma ex-namorada de a ter agredido e deixado o corpo marcado de alto a baixo. O deputado do Bloco de Esquerda nega tudo e garante ter sido ele a vítima de agressões. Não vou estar a alongar-me muito na descrição da situação, mas se quiserem podem saber mais sobre esta notícia aqui ou aqui.

Eu não sei o que se passou, nem estou minimamente interessado em escolher lados com base no achismo, mas estive a ler o esclarecimento emitido pelo Luís Monteiro e adoro a seguinte parte do mesmo:

em situações como esta, o princípio da presunção da inocência deve ser relevado em prol da vítima. É verdade que quase sempre a vítima é uma mulher, mas comigo não foi assim.

Isto é como quem diz "no caso dos outros é assumir que é sempre verdade e fazer julgamentos públicos independentemente do que realmente aconteceu, mas no meu caso tenham lá calma que não é bem assim". A mulher tem sempre razão nas acusações, excepto se for eu a ser acusado.

É sempre curioso estes dois pesos e duas medidas conforme são os nossos ou os outros. Parece o futebol. Os nossos são sempre para ter o benefício da dúvida, enquanto os outros é para atirar para a fogueira mediática e serem ali queimados bem queimados, independentemente das consequências que tal pode provocar. Ver um culpado a escapar é péssimo, mas ser alguém acusado de algo que não se fez também não é melhor. A mancha que fica para sempre em alguém que é acusado infundadamente por mais que se tente nunca sai. Fica sempre ali um restinho que nem o melhor tira-nódoas do Mundo consegue retirar.

Deixo-vos então aqui um truque básico de como se posicionarem em casos como este, dos quais não se têm certezas do que se passou e ainda não há factos para comprovar. Assumir que ambos estão a mentir ou, pelo menos, a não dizer a verdade totalmente em situações que não se faz a mínima ideia do que aconteceu. Se há coisa que sabemos sobre o fim de relações mal resolvidas é a capacidade que algumas pessoas têm em mentir para tentar ferir o outro ou então para se tentarem defender do que fizeram de errado. Há mulheres mentirosas. Há homens mentirosos. As pessoas mentem. Assim é só ficar à espera de desenvolvimentos para tomar uma opinião fundamentada sobre o que aconteceu. Simples e não custa nada.

Entretanto, como diriam no Dragonball, não percam os próximos episódios, porque nós também não. Eu bem vos disse que este #MeTooga iria ficar cada vez mais interessante.

Suzana Garcia, a exterminadora implacável

Suzana Garcia, a exterminadora implacável

Ontem, Suzana Garcia voltou a ser Suzana Garcia e no programa do Goucha saiu-se com a incrível expressão que o Bloco de Esquerda e CHEGA! deviam ser exterminados.

Algo que ninguém ligou quando ouviu de repente toma enormes proporções, porque elementos do Bloco de Esquerda exigem que Rui Rio reconsidere a escolha para a Câmara da Amadora e encontre outro candidato. Isto porque aquela expressão é, segundo eles, discurso de ódio e um incitamento à violência, não sendo assim Suzana Garcia uma candidata com espaço no campo democrático. Transformaram-na em, Suzana Garcia, a exterminadora implacável do Bloco de Esquerda.

Coitadinho no Bloco de Esquerda. Fez dói-dói com o que a má da Suzana Garcia disse e foi fazer queixinhas ao pai Rui Rio para a colocar de castigo.

Alguém genuinamente acredita que quando a Suzana Garcia disse que que o Bloco de Esquerda devia ser exterminado estava mesmo a referir-se que era para matar os seus militantes? A sério? De toda a porcaria que ela debitou e debita o que vão pegar é numa força de expressão a dizer que o BE devia desaparecer?

Apesar de ser algo cada vez mais comum, espanta-me sempre quando um comentário parvo gera uma escalação de parvoíce. Parece-me algo completamente normal que se um partido tem ideias e valores totalmente discrepantes dos que eu acho correctos, então não me importaria nada que desaparecesse do espaço público. Assim de repente quase aposto que há ali um ou dois partidos que o pessoal do BE não se importaria que fosse exterminado.

Pelo que todos temos visto praticamente desde sempre e em especial nos últimos anos, metade do espectro político quer exterminar o outro espectro político e vice-versa. Isto porque acham que as suas ideias são as certas e as dos outros partidos são totalmente erradas. Depois ficam todos ofendidinhos quando alguém realmente o verbaliza explicitamente? Olhem, deixem de ser uns bebés chorões.

Neste caso todo, mais do que baboseiras ditas pela Suzana Garcia, o que já é esperado, alguém de um partido dizer quem deve ou não ser o candidato de outro partido é que me parece mais confuso. Acho que nunca tinha visto uma coisa destas.

Se acham que a Suzana Garcia é uma péssima candidata como eu acho que é, deviam era ficar satisfeitos por ela estar a concorrer às Autárquicas. Mais facilmente podem ter bons resultados. Nota-se claramente que ela não está preparada, nem sequer conhece a Amadora. Simplesmente ouviu falar dos casos que toda a gente ouviu falar e faz a campanha com base nessas generalizações. A Amadora é isso, mas é muito mais que isso. Combatam-na no campo. Com ideias. Com propostas. É assim tão difícil?

Indigno e insultuoso

O Grupo Luz Saúde está a entregar vales de compras como incentivo aos enfermeiros que actuem como “embaixadores” dos hospitais no âmbito de uma campanha interna de recrutamento, ou seja, se alguém servir de intermediário na contratação de um novo funcionário recebe um vale de compensação.

O Bloco de Esquerda olhou para isto e considerou a situação indigna e insultuosa para os profissionais de saúde.

Eu compreendo esta situação. Sendo um método bastante utilizado no mundo empresarial, também acho indigno e insultuoso convidar amigos ou conhecidos para trabalharem na mesma empresa que eu. Até porque costumam ser pessoas de quem gosto e, como tal, não lhes desejo mal.

Chega de manifestações

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa disseram que a democracia não tinha sido suspensa com a pandemia. Esta é uma frase acertada, mas que abriu a porta a um conjunto de iniciativas partidárias e sociais que deveriam ficar para outras alturas sanitariamente mais calmas. Não falo sequer das comemorações do 25 de Abril e do 1 de Maio que, apesar de não concordar com a forma como foram realizadas, ainda dou de barato por serem datas especiais. Refiro-me sim às manifestações pós-desconfinamento.

Eu olho para os nossos partidos dos extremos e imagino-os como daquelas crianças mimadas, mal-educadas, que fazem birras a toda a hora para obrigarem os pais a fazerem o que elas querem. Tipo a filha da minha vizinha do lado… Mas isso já é outro assunto… voltando ao tema. Como miúdos mimados, para terem atenção, têm de fazer barulho, ou seja, manifestações. E têm de ser quando eles querem! Ai de quem os contrarie…

Começámos então com a manifestação contra o racismo, Black Lives Matter style, que serviu para o Bloco de Esquerda e a Joacine Katar Moreira se colarem a ela e surfarem na onda. Foi agradável voltar a ver a Joacine que andava desaparecida. Ouvi-la a vociferar, sem gaguejar, frases com um toquezinho racista numa manifestação antirracista é algo que enche o coração. Mas aparentemente só os caucasianos é que são racistas, deve ser uma forma de white privilege qualquer… Ora, como esta era uma manifestação com motivações bem intencionadas, Governo e DGS abençoaram-na, impedindo assim que o vírus se propagasse em quem nela participou.

Esta semana tivemos a manifestação da CGTP, apoiada pelo PCP, com cerca de 400 pessoas. A CGTP que já tinha sido tão bem vista no 1 de Maio, decidiu repetir a dose, logo no dia do anuncio das medidas restritivas para a zona de Lisboa e Vale do Tejo. Manifestantes a dizer que é só seguir algumas recomendações da DGS para prevenir contágio e que há os serviços médicos para fazerem o seu trabalho. Cereja no topo do bolo, a secretária-geral da CGTP, defendendo a manifestação, dizendo que não se pode confundir com eventos particulares, que aquele é um direito dos trabalhadores. O coronavírus é capitalista e não infecta camaradas comunistas.

Finalmente, ontem, tivemos a manifestação organizada pelo CHEGA contra a manifestação contra o racismo, mas que não é a favor do racismo. Devo confessar que em termos lógicos é uma equação complicada de perceber. Tem demasiadas negações.

André Ventura que sempre se colocou contra a realização de todas as manifestações anteriores achou por bem que esta é que se deveria realizar. Em termos lógicos, esta também é uma equação complicada de perceber, mas se há algo que podemos sempre contar é que André Ventura apregoe uma coisa e faça outra. Isto acaba por facilitar um bocado.

Logo no dia em que saiu um estudo europeu que diz que 62% dos portugueses manifestam comportamentos racistas, uma manifestação com o mote “Portugal não é racista”. Timing perfeito. Para estes manifestantes, Portugal é o único país no Mundo onde não há racismo. Deve ter havido algum decreto ou assim, como o que fizeram na Câmara Municipal de Lisboa, que limpou o racismo do país. Curiosamente, enquanto André Ventura proclamava que Portugal não é um país racista, dizia também que rejeitava sustentar minorias, minorias estas que querem continuar a não fazer nada. Elogiando de seguida polícias, professores, profissionais de saúde, motoristas de transportes públicos e empresários. Foi deveras educativo saber que estas profissões não contêm pessoas pertencentes a minorias. Nunca pensei.

Bem, o André Ventura lá fez o seu caminho pela Avenida da Liberdade abaixo, liderando a sua trupe de apoiantes, lado a lado com a sua fã número um, Maria Vieira, e com um manifestante negro à frente e sempre em destaque. Mais um sinal óbvio de que não podem ser racistas, porque até têm um amigo que é preto.

Chegado ao Terreiro do Paço, André Ventura agradeceu a todos que o acompanharam, por não o terem deixado caminhar sozinho. Não sei se ele é o único português que tem medo de descer a pé, a Avenida da Liberdade, num Sábado à tarde, sozinho ou se foram resquícios da vitória do Liverpool no campeonato que fizeram dizer aquilo. Ficou a dúvida.

Portanto, partidos políticos, por favor, deixem todas estas manifestações que a maioria dos portugueses não quer saber para nada para daqui a uns meses. Esperem que a taxa de infeção pelo coronabicho fique mais baixa e depois, aí sim, realizem todas as manifestações patetas que vos der na telha. Isso sim, os portugueses agradeciam.

O Bloco de Esquerda é tão deprimente

Estava eu a ver o telejornal enquanto almoçava e aparece a informação de uma manifestação de pais contra a violência no Colégio Militar. Até aí tudo bem, são pais de ex-alunos que estão inconformados com os maus-tratos que foram infligidos aos seus filhos.

De repente, na imagem, aparece a Ana Drago ao lado desses pais. A minha ideia imediata foi "Se calhar tem/teve algum filho no Colégio Militar.", mas afinal eu não poderia estar mais errado. Ela estava ali porque o Bloco de Esquerda foi fazer um aproveitamento político daquela situação. Incrível!

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