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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Imposição do dever de bom senso

António Costa anunciou ontem após reunião de Conselho de Ministros que as medidas que serão impostas no país a partir de 4 de Novembro. Dever de recolhimento domiciliário, a proibição da realização de celebrações e de outros eventos com mais de cinco pessoas e a obrigatoriedade do teletrabalho serão algumas dessas medidas aplicadas em 121 concelhos do país.

Os portugueses têm o dever de permanência no domicílio, excepto se precisarem de fazer alguma coisa na rua. Como se o bom senso já não ditasse isso.
A grande dúvida agora é como se impõe o dever cívico de recolhimento domiciliário. Vão andar as autoridades a perguntar a cada pessoa o que faz na rua e depois dizer "Olhe, se calhar devia ir para casa, mas se não quiser é consigo"? Teremos interacções com as forças de autoridade deste género?

PSP - Bom dia, cidadão. Sabe que tem o dever cívico de permanência no domicilio?

Cidadão - Bom dia, senhor agente. Sei sim senhor, mas vou almoçar fora.

PSP - Muito bem. E vai almoçar onde?

Cidadão - Ainda não sei bem, mas se tudo correr bem será em Bragança.

PSP - Pode seguir então e tenha uma boa viagem.

Eu sei que as forças de autoridade estão a adorar fazer estas operações STOP em todo o lado nos últimos dias, é uma espécie de sonho molhado estar num sítio parados a chatear as pessoas sem necessidade, mas isto já é levar esse sonho molhado a outro nível.

Tendo em conta que o turismo consiste basicamente em andar a passear de um lado para o outro, se percebi bem esta medida, a ideia é matar o turismo em Portugal definitivamente, certo? O António Costa deceidiu que vai levar o turismo para trás de um barracão e dar-lhe dois tiros.

Isto a não ser que o Governo tenha descoberto um novo tipo de turismo. Um turismo que consista em descobrir o interior de casas. Só acho que seria de bom tom avisar os estrangeiros que vêm para cá, assim que metem os pés no aeroporto, desse novo turismo.

Outra medida bastante interessante é a proibição da realização de feiras e mercados de levante. Fazer compras num espaço fechado? Tudo bem. Fazer compras num espaço ao ar livre? Inadmissível. Claramente faz total sentido... Bem, pelo menos para quem decide as medidas.

Excelente seria que o Governo conseguisse impor o dever de bom senso a todos. Inclusive para si próprio.

STAYAWAY PSD

António Costa - "Portugueses devem ser obrigados a instalar a aplicação STAYAWAY COVID."

Portugueses - "É estúpido ser obrigatório a instalação de uma aplicação nos telemóveis. Deve ser recomendado, mas nunca obrigatório."

Rui Rio - "Realmente não faz sentido os portugueses terem de instalar a aplicação. O que faz mesmo sentido é gastar-se mais dinheiro a criar uma outra aplicação e essa sim ser obrigatória."

Quando o maior partido da oposição se comporta assim consecutivamente, qual é mesmo a razão para os portugueses pensarem sequer em trocar o PS pelo PSD na liderança do Governo?

VADERETRO COVID

Continuamos então ainda com a polémica da aplicação STAYAWAY COVID, não é?

Quando António Costa diz publicamente que a vizinha lhe deu um raspanete por ele não estar a usar a máscara dentro do prédio e que por isso também tornou obrigatória essa medida diz tudo. Esta vizinha tem mais força política que o Presidente da República. Manda umas bocas ao Primeiro-Ministro, ele amocha e os portugueses apanham com as consequências. É preciso ter cuidado com as coisas que esta vizinha diz ao António Costa.

Quanto à STAYWAY COVID, o Governo olhou para os cerca de 1800000 downloads da aplicação e pensou que o problema era claramente das pessoas não estarem a descarregar a aplicação. Com este número de downloads é óbvio que o problema advém daí... Ou então foi também a vizinha que lhe disse que devia ser obrigatório, nunca se sabe.

Quando há pessoas que usam a aplicação e pensam que a STAYAWAY COVID vai apitar quando estiverem junto a um infectado diz muito do que a generalidade das pessoas sabe da aplicação. Malta, isto não é o sistema de pulseira electrónica para proteger vítimas de violência doméstica quando o agressor se aproxima delas. É para alguém infectado poder alertar as pessoas que estiverem em contacto consigo nos últimos 14 dias, após o médico responsável pelo seu caso lhe fornecer um código para inserir na aplicação.

António Costa, sobre a obrigatoriedade desta medida, já veio dizer o seguinte:

Odeio ser autoritário, eu não quero ser autoritário, mas temos de controlar esta pandemia

Sabem o que isto faz mesmo lembrar? O "Eu não sou racista, mas...". Portanto, sabem quem é que costuma dizer coisas como "Eu não queria ser autoritário, mas vocês é que me obrigam"? Exacto, pessoas com tendências autoritárias.

A candidata à Presidência da República, Ana Gomes, também já veio a público dizer-se contra a obrigatoriedade da instalação da app STAYAWAY COVID por, entre outras coisas, ser uma violação da privacidade. Não deixa de ter piada quando defende as acções de Rui Pinto.

Sendo obrigatória em contexto escolar, será que se um aluno não tiver a STAYAWAY COVID instalada na sala de aula leva falta de material? São estas pequenas coisas que me deixam dúvidas.

Se o Governo quer levar estas medidas em frente, acho que devia criar uma polícia específica para fiscalizar a utilização obrigatória das máscaras na rua e da instalação da app STAYAWAY COVID. A polícia chamar-se-ia COPIDE-19. Parece-me um nome adequado.

Só sei é que com a repercussão que isto está a ter, Portugal ainda vai ser o grande responsável pelo ressurgimento da Nokia. Volta Nokia 3310, estás perdoado!

Entretanto no Brasil, a Polícia Federal encontrou 30 mil reais (4,6 mil euros) escondidos entre as nádegas do senador Chico Rodrigues numa operação que investiga desvios de dinheiro público destinado ao combate da pandemia de COVID-19.

Então um bom dia para todos.

Estamos uma calamidade novamente

Então não é que o Cristiano Ronaldo apanha COVID-19 e, menos de 24 horas depois, o Governo passa o país da situação de contingência para o estado de calamidade. Se o António Costa tivesse esperado para ver a exibição do Diogo Jota no jogo contra a Suécia não tinha havido necessidade de declarar o estado de calamidade.

Entre várias das novas medidas apresentadas em conferência de imprensa, houve uma que se destacou:

Apresentar à Assembleia da República uma proposta de lei a que solicitaremos uma tramitação de urgência para que seja imposta a obrigatoriedade do uso da máscara na via pública, repito, com o óbvio bom senso de só nos momentos em que há mais pessoas na via pública e também da utilização da aplicação STAYAWAY COVID em contexto laboral, escolar e académico, nas forças armadas e nas forças de segurança e no conjunto da administração pública.

Agora já se legisla bom senso e instalação de apps? Está bonito isto.

Apesar de não achar correcto o uso obrigatório de máscara na rua, eu ainda percebo que o seja, mas como é que se cria uma lei sobre o "óbvio bom senso da utilização da máscara"? Eu por exemplo, quando vou na rua normalmente não uso máscara, mas quando vou passar por uma zona mais movimentada coloco-a. Mas é o meu bom senso que, olhando para a quantidade de pessoas com que me vou cruzar, o define. Vão andar as autoridades a policiar o bom senso com uma fita métrica?

Depois, a instalação da aplicação STAYAWAY COVID... Será que o Orçamento do Estado tinha lá uma alínea escrita em que o Governo ia oferecer um smartphone, com a aplicação STAYAWAY COVID instalada, a cada português? Não reparei nisso.

Não sei se repararam, mas a STAYAWAY COVID é uma aplicação bastante peculiar. Por um lado, se ninguém a usar não serve para nada, porque não tem dados inseridos suficientes. Por outro, se toda a gente a usar também não serve para nada, porque vai fartar-se de disparar uma quantidade absurda de alertas desnecessários.

É só imaginar o caso de alguém infectado que andou de transportes públicos nos últimos 14 dias. Já imaginaram a quantidade de pessoas que essa pessoa se cruzou durante 15 minutos a menos de 2 metros de distância? E o mais provável é nem terem sido contagiados. Será uma excelente forma para lançar ainda mais o pânico generalizado.

Qual é a altura boa para uma crise política?

Qual é mesmo a altura boa para haver uma crise política?

É que pelo que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa dizem, agora não é um desses momentos.

No entanto, se dizem que agora não é uma boa altura para haver uma crise política isso também significa que, aparentemente, há outras alturas boas para haver crises políticas.

É que, assim de repente, tirando a que aconteceu ali em meados de Abril de 1974, não me recordo de nenhuma outra altura boa para haver uma crise política. Não estou a ver algum português a pensar "Epá, este país está tão bom e não se passa nada, isto agora ia mesmo bem uma crise política. Só para animar um bocado. Ainda por cima não tenho nada planeado para os próximos meses.".

Estamos lixados

Após a reunião do gabinete de crise para o acompanhamento da evolução da COVID-19 em Portugal, António Costa deu uma conferência de imprensa cujo resumo foi basicamente o seguinte:

O mais provável é a partir da próxima semana chegarmos aos 1000 infectados por dia. Nós já definimos as regras e as medidas que permitem evitar a transmissão do vírus, se continuam a querer fazer porcaria, a culpa é vossa. E esqueçam o voltar a ficar tudo em casa novamente, não vai acontecer.

António Costa bem. Finalmente, a dar uma dose de realidade aos Portugueses.

Por outro lado, a parte negativa é que se só vamos conseguir controlar a pandemia se os Portugueses cumprirem as regras, isso significa que estamos bem lixados.

Uma nova equipa, o Benfica de sempre

Benfica contra PAOK. Um jogo que supostamente iria definir muito do que será a temporada do Benfica. Benfica perde. Uma nova equipa, o Benfica das competições europeias de "sempre".

Apesar de toda a confiança em que o Benfica pudesse ultrapassar este adversário, acredito que uma boa parte dos benfiquistas tinha ali uma certa impressão de que isto tinha tudo para correr mal. Então quando o Benfica pagou para o Zivkovic ir-se embora e ele foi para o PAOK, estava-se mesmo a ver que ele ainda ia marcar um golo. É mesmo daquelas coisas à Benfica.

O facto de jogar no Estádio Toumba também já era outro presságio do que viria a acontecer. O Benfica "toumbou" e "toumbou" forte. Mais uma prova que Jorge Jesus não é nenhum mágico que de repente mete as equipas a jogar. É um bom treinador é verdade, mas há muitos outros bons treinadores portugueses por aí. Só precisam é de oportunidades para mostrar o seu trabalho.

Imagino o que se diria na comunicação social se isto tivesse acontecido ao Rui Vitória ou ao Bruno Lage. Seriam completamente enxovalhados em praça pública, mas ontem praticamente não se ouviu nenhuma crítica ao Jorge Jesus. A sua rede de influência está bem montada.

Quando o Luís Filipe Vieira disse na apresentação do Jorge Jesus que queria ganhar na Europa nós benfiquistas é que entendemos mal. O que ele se estava a referir era à Liga Europa. E esse mérito já ninguém tira a Jorge Jesus. Num único jogo conseguiu a qualificação para a Liga Europa.

Temos também de ver que, nesta altura de pandemia, o melhor é mesmo evitar andar a fazer deslocações pela Europa por questões sanitárias. Benfica bem. Se todos fossemos assim, de certeza que não existiriam tantos contágios.

Só sei é que, depois do jogo de ontem, o António Costa vai de certeza despachar-se a saltar fora da comissão de honra do Luís Filipe Vieira.

Cobardes

A partir de agora imagino que a cada elogio do Governo a algo ou alguém vai aparecer depois um vídeo do António Costa a dizer mal dos mesmos.

Por exemplo, ainda agora o Governo elogiou o Miguel Oliveira pela primeira vitória portuguesa em MotoGP, dizendo que a vitória enche o país de orgulho. Imagino que daqui a pouco vamos ver uma conversa off the record do António Costa a dizer que o Miguel Oliveira foi um cobarde por não ter arriscado antes e só ter ultrapassado na última curva porque o Jack Miller e o Pol Espargaró estavam a lutar entre eles.

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