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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Assim é fácil

Estive a ver a entrevista de André Ventura ao Miguel Sousa Tavares na TVI e, digam o que disserem, o CHEGA! vai ganhar mais uns milhares de votos. E vai continuar a ser assim a cada tempo de antena que o André Ventura tenha, em particular na televisão e em horário nobre.

André Ventura sabe bem o que deve dizer. Para além disso, tem todo o andamento dos vários programas de comentário desportivo na CMTV. Só com entrevistadores mais preparados é que vão lá.

A frase que mais me chamou a atenção durante a entrevista foi a seguinte:

Dizer isto até me pode custar votos.

Não André. Dizer o que a maioria das pessoas quer ouvir não custa votos. A isso é o que se chama populismo e demagogia. E é o que dá bastantes votos.

Assim é fácil.

Por uma Presidência com tino

Num dia em que saiu mais uma sondagem sobre as Presidenciais que dá vitória a Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta e segundo lugar a André Ventura, vejo-me forçado a avançar o meu apoio a um candidato.

Tino de Rans

Exacto, Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans. Um candidato a Presidente da República sem rabos-de-palha e agendas escondidas. É verdade que também não deve ter agenda, mas ao menos não tem agendas escondidas.

Se forem a ver bem, André Ventura foi adjectivando todas as candidaturas que foram sendo lançadas, mas a candidatura do Tino de Rans é tão forte que nem se atreveu a adjectivá-la.

O grande candidato à Presidência da República e Marcelo Rebelo de Sousa
O grande candidato à Presidência da República e Marcelo Rebelo de Sousa

O Tino de Rans é tão espectacular que foi ter uma audiência com o Presidente da República e foi o próprio Marcelo Rebelo de Sousa quem lhe pediu para tirar uma selfie.

Já li pessoas a desdenhar a candidatura do grande Tino com o argumento de que se o Presidente da República é o Comandante Supremo das Forças Armadas, no caso de entrarmos em guerra, quem é que quereria o Tino de Rans a comandar. A resposta a isto é clara. Eu. De todos os candidatos é provavelmente o único que foi à tropa.

Nem de propósito, esta manhã, Tino de Rans foi à SIC ao programa Olhó Baião!. Tino enviou mensagens políticas fortíssimas e espero que os portugueses as tenham captado.

Tino de Rans no Olhó Baião!

Tino cantou o seu grande sucesso "Pão Pão, Fiambre Fiambre" no qual é referido o seguinte:

Pão com manteiga é tão bom, mas com fiambre ainda é melhor

Esta uma clara alusão a Marcelo Rebelo de Sousa que é a manteiga, mas ele, Tino de Rans, é o fiambre. Tino não vai deixar faltar o pão aos portugueses.

Por uma Presidência com tino, votem Vitorino Silva. #Tino2021 #PresidenTinoDeRanspública

Porque será?

Um delegado do CHEGA! qualquer decide fazer uma moção em que, entre outras coisas bastante parvas, propõe que as mulheres que abortem no SNS devem ter os ovários retirados.

O Congresso do CHEGA! chumba, e bem, a moção.

Pessoas pegam nessa moção chumbada e começam a acusar o André Ventura de querer tirar os ovários às mulheres.

André Ventura tem a oportunidade de se fazer de vítima, porque está a ser alvo de um ataque sobre algo que não teve participação.

 

Depois há pessoas que se espantam e queixam de como um partido que tem apenas um único deputado tem tanta visibilidade. Pois, porque será? É que não estou mesmo a ver de quem será a culpa...

Suicídio Político

Há uns dias, a propósito da Maria Vieira ter deixado fumar porque tinha-se filiado no CHEGA!, fiz um comentário humorístico no qual referi que o André Ventura parecia estar a tornar o partido cada vez mais parecido com uma daquelas seitas apocalípticas que têm um líder todo-poderoso e que costumam terminar em suicídio colectivo. Nestas seitas, normalmente, costuma ser o líder a convencê-los, sendo o único que acaba por não cometer o suicídio, porque realmente não acredita naquilo que apregoa.

Hoje, após o anúncio da candidatura de Ana Gomes à Presidência da República, André Ventura, no Twitter, garantiu demitir-se caso tenha menos votos que Ana Gomes.

Tenho de reconhecer que, desta vez, é muito provável ter-me enganado na minha previsão. Com estes sinais, parece que vai ser o líder a cometer o suicídio (político) antes dos restantes membros da seita.

Chega de manifestações

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa disseram que a democracia não tinha sido suspensa com a pandemia. Esta é uma frase acertada, mas que abriu a porta a um conjunto de iniciativas partidárias e sociais que deveriam ficar para outras alturas sanitariamente mais calmas. Não falo sequer das comemorações do 25 de Abril e do 1 de Maio que, apesar de não concordar com a forma como foram realizadas, ainda dou de barato por serem datas especiais. Refiro-me sim às manifestações pós-desconfinamento.

Eu olho para os nossos partidos dos extremos e imagino-os como daquelas crianças mimadas, mal-educadas, que fazem birras a toda a hora para obrigarem os pais a fazerem o que elas querem. Tipo a filha da minha vizinha do lado… Mas isso já é outro assunto… voltando ao tema. Como miúdos mimados, para terem atenção, têm de fazer barulho, ou seja, manifestações. E têm de ser quando eles querem! Ai de quem os contrarie…

Começámos então com a manifestação contra o racismo, Black Lives Matter style, que serviu para o Bloco de Esquerda e a Joacine Katar Moreira se colarem a ela e surfarem na onda. Foi agradável voltar a ver a Joacine que andava desaparecida. Ouvi-la a vociferar, sem gaguejar, frases com um toquezinho racista numa manifestação antirracista é algo que enche o coração. Mas aparentemente só os caucasianos é que são racistas, deve ser uma forma de white privilege qualquer… Ora, como esta era uma manifestação com motivações bem intencionadas, Governo e DGS abençoaram-na, impedindo assim que o vírus se propagasse em quem nela participou.

Esta semana tivemos a manifestação da CGTP, apoiada pelo PCP, com cerca de 400 pessoas. A CGTP que já tinha sido tão bem vista no 1 de Maio, decidiu repetir a dose, logo no dia do anuncio das medidas restritivas para a zona de Lisboa e Vale do Tejo. Manifestantes a dizer que é só seguir algumas recomendações da DGS para prevenir contágio e que há os serviços médicos para fazerem o seu trabalho. Cereja no topo do bolo, a secretária-geral da CGTP, defendendo a manifestação, dizendo que não se pode confundir com eventos particulares, que aquele é um direito dos trabalhadores. O coronavírus é capitalista e não infecta camaradas comunistas.

Finalmente, ontem, tivemos a manifestação organizada pelo CHEGA contra a manifestação contra o racismo, mas que não é a favor do racismo. Devo confessar que em termos lógicos é uma equação complicada de perceber. Tem demasiadas negações.

André Ventura que sempre se colocou contra a realização de todas as manifestações anteriores achou por bem que esta é que se deveria realizar. Em termos lógicos, esta também é uma equação complicada de perceber, mas se há algo que podemos sempre contar é que André Ventura apregoe uma coisa e faça outra. Isto acaba por facilitar um bocado.

Logo no dia em que saiu um estudo europeu que diz que 62% dos portugueses manifestam comportamentos racistas, uma manifestação com o mote “Portugal não é racista”. Timing perfeito. Para estes manifestantes, Portugal é o único país no Mundo onde não há racismo. Deve ter havido algum decreto ou assim, como o que fizeram na Câmara Municipal de Lisboa, que limpou o racismo do país. Curiosamente, enquanto André Ventura proclamava que Portugal não é um país racista, dizia também que rejeitava sustentar minorias, minorias estas que querem continuar a não fazer nada. Elogiando de seguida polícias, professores, profissionais de saúde, motoristas de transportes públicos e empresários. Foi deveras educativo saber que estas profissões não contêm pessoas pertencentes a minorias. Nunca pensei.

Bem, o André Ventura lá fez o seu caminho pela Avenida da Liberdade abaixo, liderando a sua trupe de apoiantes, lado a lado com a sua fã número um, Maria Vieira, e com um manifestante negro à frente e sempre em destaque. Mais um sinal óbvio de que não podem ser racistas, porque até têm um amigo que é preto.

Chegado ao Terreiro do Paço, André Ventura agradeceu a todos que o acompanharam, por não o terem deixado caminhar sozinho. Não sei se ele é o único português que tem medo de descer a pé, a Avenida da Liberdade, num Sábado à tarde, sozinho ou se foram resquícios da vitória do Liverpool no campeonato que fizeram dizer aquilo. Ficou a dúvida.

Portanto, partidos políticos, por favor, deixem todas estas manifestações que a maioria dos portugueses não quer saber para nada para daqui a uns meses. Esperem que a taxa de infeção pelo coronabicho fique mais baixa e depois, aí sim, realizem todas as manifestações patetas que vos der na telha. Isso sim, os portugueses agradeciam.

Discriminação futebolística

Muita gente anda por aí a dizer e a gozar que o André Ventura falou que política e futebol não se devem misturar. O que está totalmente errado. Ele disse algo muito melhor. Ele disse: «É lamentável que um jogador da seleção nacional se envolva em política.»

Ou seja, o André Ventura discrimina até nos jogadores de futebol. Para ele qualquer jogador tem o direito de expressar a sua opinião, até ao momento em que é convocado para a seleção nacional.

Para o André Ventura, a pessoa que dita quais os jogadores que podem ou não envolver-se em política é o Fernando Santos.

Falta de bom senso

De uma forma geral, as pessoas sempre tiveram problemas em aceitar as opiniões diferentes das suas. Não é algo novo, sempre foi assim ao longo dos séculos. E o que acontece sempre? Ataca-se o individuo em vez de se tentar desmontar a sua ideia.

André Ventura é homem, branco e com ideais de extrema direita. Joacine Katar Moreira é mulher, negra e com ideais de extrema esquerda. Pouco os une a não ser o ódio que estão a gerar na sua direção. Apesar disso, a forma como está a ser direcionado é diferente.

André Ventura é atacado como se as suas ideias não fossem legítimas. Legítimas não no sentido de serem corretas, mas no sentido de se poderem ter. É assumido como dogma que tem de assumir uma política de esquerda e que tudo o resto está errado e não é sequer discutível. Sendo assim, ataca-se o homem fazendo dele uma espécie de vítima.

No caso de Joacine Katar Moreira, o ataque é ainda mais absurdo. Eu confesso que a sua gaguez me faz rir, mas o problema não é dela, é meu. É o meu lado infantil a vir ao de cima. Daí a achar que ela não deve ocupar o lugar que legitimamente conquistou como deputada vai muito longe. Pior que isso são os ataques relacionados com a bandeira da Guiné-Bissau que apareceu na festa da sua eleição e que indiretamente estão relacionados com o facto de Joacine ter nascido lá. São comportamentos racistas e xenófobos mais preocupantes numa sociedade que se quer moderna.

Há tanto para concordar ou discordar das ideologias que cada um deles defende que não faz sentido fulanizar a discussão. Discutam as ideias. De preferência, com algum bom senso, por favor.

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