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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Eleições Presidenciais 2021

Ontem tivemos então mais umas eleições presidenciais, sem grande história e com pouca imprevisibilidade. Novamente o grande vencedor da noite foi a abstenção, apesar de não ter sido tão grande como se esperava. Ainda assim, não deixa de ser curioso que quando é para ficar em casa, os Portugueses vão para a rua e quando podem sair para ir votar, os Portugueses ficam em casa. Vá-se lá perceber.

Aqui ficam as minhas impressões sobre os vários candidatos que ontem discutiram estas eleições. Agora sim, a opinião que interessa.

  • Marcelo Rebelo de Sousa - Parece que ganhou. É verdade, quem diria? E com cerca de 60%. Nem vai haver segunda volta nem nada. E pelas declarações do CDS, aparentemente foi graças a eles que ganhou. Marcelo levou esta eleição com a leveza que o caracteriza, já com a noção absoluta que iria ganhar. Foi aos debates fazer a sua obrigação, nem sequer se dignou a fazer vídeos para o tempo de antena e, apenas para o final da campanha, decidiu fazer efectivamente alguma campanha, porque deve ter começado a ver que era melhor começar a dar alguns sinais de vida antes que a coisa corresse um bocado mal e fosse obrigado a ir a uma segunda volta. Marcelo tinha ido votar a Celorico de Basto, mas voltou para Lisboa para fazer o discurso de vitória. Ao chegar a casa, disse aos jornalistas para esperarem um bocadinho, porque ia comprar qualquer coisa para comer no take-away. Fez bem. Toda a gente sabe que "tu não és tu, quando tens fome". Depois, ao final da noite, lá fez a viagem de Cascais até à Faculdade de Direito para fazer o seu discurso. Foi a viagem mais longa alguma vez vista, sem trânsito, nesse percurso. Quase demorava mais do que a vinda desde Celorico. Parecia até que estava a fazer de taxistas de uns turistas no carro e a dar-lhes a tour por Lisboa. Já o discurso de vitória, não foi assim tão vitorioso como se esperaria, mas foi o adequado aos tempos em que vivemos.
  • Ana Gomes - Conseguiu o seu grande objectivo, ficar em 2º lugar. Com cerca de mais de 45000 votos no total do que André Ventura, Ana Gomes bem pode agradecer ao eleitores do distrito do Porto que lhe deram mais 50000 votos que a André Ventura. Não fossem eles e isto tinha corrido pior. Acabou a noite a queixar-se da falta de apoio do PS. Nunca é bom sinal quando se atira as culpas dos insucessos próprios para cima dos outros.
  • André Ventura - Vai demitir-se! Iei. Mas vai recandidatar-se! Ohhh. Andou a noite toda ali taco a taco com Ana Gomes na luta pelo segundo lugar, perdendo com um golo nos últimos minutos. Mesmo assim, pelo discurso de Rui Rio a lamber as botas Dr Martens e do discurso do próprio foram os grandes vencedores da noite. André Ventura considerou-se como o enviado de Deus. Se por um lado é compreensível, porque, quando toda uma campanha eleitoral é centrada na sua pessoa, é natural que pareça omnipresente. Por outro lado, ter apenas menos de 12% dos votos não me parece muito omnipotente. E muito menos omnisciente, porque assim saberia que ia ficar atrás de Ana Gomes. Um dos maiores pontos positivos de André Ventura não ter sido eleito Presidente da República é a poupança em segurança que se vai fazer. Se ele já anda com vários agora, imaginem a quantidade de seguranças que teria se fosse eleito. Era mais um rombo no orçamento.
  • João Ferreira - Quando João Ferreira se casou, o padre perguntou-lhe aquela lenga-lenga toda do prometer amar e respeitar a esposa e etc e tal. João Ferreira respondeu que jurava defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. Nestas eleições, conseguiu basicamente segurar o eleitorado comunista. É o possível agora.
  • Marisa Matias - Ir lutar com um inimigo, no terreno e nas condições do inimigo, ou se é muito bom ou então é meio caminho andado para perder. Para Marisa Matias foi este o segundo caso. Marisa Matias teve uma campanha fraca, que raramente se conseguiu diferenciar de Ana Gomes e, como tal, tornou-se uma candidatura redundante.
  • Tiago Mayan Gonçalves - Inicialmente previa-se que fosse ter uma campanha completamente desastrosa, mas foi sempre em crescendo. Acabou a noite todo suado, provavelmente por ter andado a correr atrás do Tino de Rans até o conseguir mesmo sobre a meta. Não tendo feito um resultado escandaloso, também é estranho vir cantar vitória por ser o último dos candidatos com apoio de partidos com assento parlamentar. É poucochinho.
  • Vitorino Silva - Sendo constantemente desprezado pelas principais canais generalistas, o grande Tino fez a campanha certa. Foi para casa, doou sangue, conseguiu uma máquina de ressonância magnética para o hospital de Penafiel, surpreendeu nos debates. A única coisa que pedia em troca era ter mais 1 voto que há cinco anos. Infelizmente, não o conseguiu. Sinto que falhámos enquanto povo, quando não conseguimos sequer dar 5% a um bom homem que luta pelos seus sonhos. É verdade também que isto não é de estranhar. Se há algo que o tuga normalmente não gosta é de ver um dos seus a ter destaque. Olhar para alguém que podia ser o nosso vizinho, o nosso tio, o primo da aldeia, a tentar chegar a algum lado pelo seu esforço, faz-nos sentir inferiores por não conseguirmos fazer o mesmo e isso é inaceitável. A única parte positiva é que se conseguir manter a votação que teve no Porto, daqui a dois anos, nas legislativas, talvez tenhamos Tino de Rans na Assembleia da República. Era importante ter a voz de alguém lá que tivesse a noção de alguns dos problemas que acontecem acima do Tejo. Talvez assim percebam o porquê de outras forças mais ocultas estarem a crescer.

Em honra ao Tino, quero terminar este texto com uma parábola do que tenho assistido nos últimos anos e, em particular, após a noite de ontem. Parece haver muitas pessoas que vêem uma mancha de humidade a crescer constantemente numa divisão da sua casa e simplesmente deixam de ir a essa divisão. Se não virem as causas do problema, então é sinal que não há problema. Só se queixam que começa a vir um cheiro a mofo, mas depois ficam surpreendidas por essa mancha ir ficando cheia de bolor, até ficar completamente podre e se ir alastrando cada vez mais. Se não se arranjar o que está a causar a humidade, pode-se fazer muita coisa, mas a humidade vai voltar sempre a aparecer.

VADERETRO COVID

Continuamos então ainda com a polémica da aplicação STAYAWAY COVID, não é?

Quando António Costa diz publicamente que a vizinha lhe deu um raspanete por ele não estar a usar a máscara dentro do prédio e que por isso também tornou obrigatória essa medida diz tudo. Esta vizinha tem mais força política que o Presidente da República. Manda umas bocas ao Primeiro-Ministro, ele amocha e os portugueses apanham com as consequências. É preciso ter cuidado com as coisas que esta vizinha diz ao António Costa.

Quanto à STAYWAY COVID, o Governo olhou para os cerca de 1800000 downloads da aplicação e pensou que o problema era claramente das pessoas não estarem a descarregar a aplicação. Com este número de downloads é óbvio que o problema advém daí... Ou então foi também a vizinha que lhe disse que devia ser obrigatório, nunca se sabe.

Quando há pessoas que usam a aplicação e pensam que a STAYAWAY COVID vai apitar quando estiverem junto a um infectado diz muito do que a generalidade das pessoas sabe da aplicação. Malta, isto não é o sistema de pulseira electrónica para proteger vítimas de violência doméstica quando o agressor se aproxima delas. É para alguém infectado poder alertar as pessoas que estiverem em contacto consigo nos últimos 14 dias, após o médico responsável pelo seu caso lhe fornecer um código para inserir na aplicação.

António Costa, sobre a obrigatoriedade desta medida, já veio dizer o seguinte:

Odeio ser autoritário, eu não quero ser autoritário, mas temos de controlar esta pandemia

Sabem o que isto faz mesmo lembrar? O "Eu não sou racista, mas...". Portanto, sabem quem é que costuma dizer coisas como "Eu não queria ser autoritário, mas vocês é que me obrigam"? Exacto, pessoas com tendências autoritárias.

A candidata à Presidência da República, Ana Gomes, também já veio a público dizer-se contra a obrigatoriedade da instalação da app STAYAWAY COVID por, entre outras coisas, ser uma violação da privacidade. Não deixa de ter piada quando defende as acções de Rui Pinto.

Sendo obrigatória em contexto escolar, será que se um aluno não tiver a STAYAWAY COVID instalada na sala de aula leva falta de material? São estas pequenas coisas que me deixam dúvidas.

Se o Governo quer levar estas medidas em frente, acho que devia criar uma polícia específica para fiscalizar a utilização obrigatória das máscaras na rua e da instalação da app STAYAWAY COVID. A polícia chamar-se-ia COPIDE-19. Parece-me um nome adequado.

Só sei é que com a repercussão que isto está a ter, Portugal ainda vai ser o grande responsável pelo ressurgimento da Nokia. Volta Nokia 3310, estás perdoado!

Entretanto no Brasil, a Polícia Federal encontrou 30 mil reais (4,6 mil euros) escondidos entre as nádegas do senador Chico Rodrigues numa operação que investiga desvios de dinheiro público destinado ao combate da pandemia de COVID-19.

Então um bom dia para todos.

Suicídio Político

Há uns dias, a propósito da Maria Vieira ter deixado fumar porque tinha-se filiado no CHEGA!, fiz um comentário humorístico no qual referi que o André Ventura parecia estar a tornar o partido cada vez mais parecido com uma daquelas seitas apocalípticas que têm um líder todo-poderoso e que costumam terminar em suicídio colectivo. Nestas seitas, normalmente, costuma ser o líder a convencê-los, sendo o único que acaba por não cometer o suicídio, porque realmente não acredita naquilo que apregoa.

Hoje, após o anúncio da candidatura de Ana Gomes à Presidência da República, André Ventura, no Twitter, garantiu demitir-se caso tenha menos votos que Ana Gomes.

Tenho de reconhecer que, desta vez, é muito provável ter-me enganado na minha previsão. Com estes sinais, parece que vai ser o líder a cometer o suicídio (político) antes dos restantes membros da seita.

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