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Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Urso Tobias

Tobias, or not Tobias, that is the question. Divagações de um urso.

Blogueiro debutante

Engraçado, estava aqui a tentar arranjar inspiração para escrever um texto sobre um assunto qualquer e reparei que faz hoje 15 anos que me juntei à blogosfera. Sinto-me um blogueiro debutante. Se não fosse o coronavírus até fazia uma festa de debutante e tudo.

É curioso voltar atrás estes 15 anos e analisar todo um percurso até ao momento. Todas as transformações neste processo mais ou menos criativo de arranjar conteúdo para fazer alimentar um blog.

O começo inocente e brincalhão típico da juventude, em que se pensa que vamos fazer sucesso e toda a gente vai querer ler o que escrevemos. Ficar parcialmente desiludido por isso não ter acontecido e simplesmente colocar imagens cómicas para ir mantendo o blog em serviços mínimos. Chegar à desilusão total e fazer um hiato de 3 anos sem qualquer publicação. Voltar no ano passado, fazendo uma atualização na personagem criada, retomando um pouco ao que eram os primórdios do que pretendia para o blog, como uma segunda juventude. Manter o blog o mais simples possível, tentando-me concentrar no mais importante, o conteúdo.

Desde que retomei, já tive a sorte de ter sido uma vez destaque nos blogs do Sapo, o que foi importante para validar de certa forma o esforço que é a criação de conteúdo regularmente e, mais do que isso, permitir chegar a mais público. Este narcisismo benigno que vive dentro de mim obviamente gosta de ser alimentado.

Vamos ver como será daqui para a frente. Espero que mais 15 anos de conteúdo humorístico e bem-disposto possam ir enchendo este blog. Obrigado a todos que ocasionalmente vão passando por aqui, estão à vontade para entrar, sentar e partilhar da minha hospitalidade blogueira.

O Vírus Influencer


Na passada Quinta-feira a SIC, no Jornal da Noite, transmitiu uma reportagem chamada "#O Conteúdo Somos Nós" sobre alguns influencers digitais (Rui Marques, Mariana Seara Cardoso, Bárbara Corby, Ana Garcia Martins e Fernanda Velez) e na comercialização da sua imagem.

Desde logo achei estranho o título, «#O Conteúdo Somos Nós». Na realidade, não são propriamente. Para quem faz conteúdo nas redes sociais, única e exclusivamente por uma parolice narcisística benigna, isso é verdade. Quem tem marcas por detrás a pagar, o conteúdo já não são bem eles. São simplemente um meio para atingir os seus seguidores, mais um veículo de transmissão de publicidade de marcas.

Se a reportagem queria chamar a atenção para as ideias pré-concebidas que grande parte das pessoas tem sobre os influencers digitais, acho que cumpriu bem essa função. Tirando o Rui Marques e, em parte, a Ana Garcia Martins, também é verdade que todas as outras puseram-se ali bem a jeito, apresentando bem os estereótipos dos influencers. Assim até é fácil bater.

Ficámos a saber que a maneira mais simples de ter seguidores, ser um grande influencer e consequentemente ter bastantes patrocínios, é meter os filhos a render. Tirei notas, vou pensar nisso. Talvez até leve um passo mais à frente e abra uma agência de adopção de crianças para influencers. É um dois em um.

Se antigamente os miúdos, assim que tinham força para pegar numa enxada, lá iam para o campo trabalhar, hoje em dia começam ainda mais cedo. Ainda estão dentro da barriga da mãe e já estão a trabalhar para a casa. É um outro tipo de enxada.

Na reportagem, os influencers também tiveram azar, porque foram logo meter lá uns psicólogos e investigadores a dar opinião sobre que a utilização das crianças neste "negócio" pode não ser muito positiva para as crianças. É jogo sujo vir com ciência quando se está a falar de ganhar dinheiro a vender a imagem dos filhos.

Ainda por cima, os mesmos psicólogos, disseram que os influencers são uns narcisistas. Olha, por esta não estava nada à espera... Pessoas que vendem o "Eu", a imagem e a ilusão de que os outros podem ser igualmente bons se forem o mais parecido possível com o "Eu". Nunca pensei que fossem narcisistas.

A parte final da reportagem da SIC com a Bárbara Corby (que não fazia a mínima ideia quem era e continuo sem saber muito bem) foi a minha favorita. Quando é feita a pergunta chave de toda aquela reportagem:

Jornalista: E se o seu filho disser "Mãe, eu não queria ter estado nas redes sociais desde pequenino"?

Bárbara Corby: Eu vou dizer "Meu filho, lembraste daquela escola que tu andaste e gostaste muito e foste bem educado, as viagens que fizeste, o conforto que tiveste, tudo isto foi pago com o trabalho da mãe, portanto...".

Se fosse preciso um resumo rápido do que é ser narcisista, aqui está. O filho acaba por ser apenas mais um acessório para ganhar dinheiro. Caiu na esparrela da pergunta.

Muitas pessoas gostam de dizer mal dos influencers digitais, por acharem quem são supérfluos e vivem das aparências. É possível que muitos o sejam e também tenho um pouco esse preconceito relativamente a eles, mas ao mesmo tempo admiro-os bastante. Sem qualquer ironia. Quem consegue ganhar a vida, porque, de alguma forma, influenciou outros a seguir as suas palavras/acções merece todo o meu reconhecimento.

Não deve ser nada fácil, partir do nada e conseguir criar a sua própria Igreja Universal do Influencer Digital. Se a Maria Influencer disse que determinada coisa é boa, então é porque é mesmo boa. E ai da invejosa que diga o contrário, leva logo com a tropa de seguidoras em cima que se lixa.

Se vocês estivessem na rua e uma pessoa qualquer dissesse que deviam comprar determinada coisa, vocês diriam para essa pessoa meter-se na sua vida. Mas quando é um influencer parece que há um chamamento mágico. Alguém que consegue criar este tipo de reacções simplesmente por colocar vídeos ou fotos na Internet é algo admirável e digno de reconhecimento.

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